Imprimir esta página Enviar para um amigo Página anterior

O papel do coach de carreira

Ref. NE-02711


por: Fernando Mantovani * 

 * Fernando Mantovani é o responsável pela operação da Robert Half no Brasil .
Basta ouvir qualquer atleta de sucesso e ele citará os coaches e mentores como parte importante para ajudar a atingir patamares mais altos de realizações. Como um executivo é provável que seu universo seja bem distinto dos gramados e pistas de atletismo, mas os princípios sãos os mesmos: você pode ser a inspiração para resultados verdadeiramente grandiosos.

Apoiar a carreira dos colaboradores não apenas os mantém motivados, mas contribui para a melhora de produtividade. Como os departamentos estão cada vez mais desafiados a fazer “mais” com “menos”, o aumento de produtividade para os profissionais sob o comando e orientação de líderes inspiradores deve ser uma escolha fundamental para todas as empresas.

Uma pesquisa recente mostra que a maioria dos profissionais recebe de forma positiva a oportunidade de receber coaching de carreira de seus gestores. No entanto, de acordo com o levantamento realizado pela Robert Half, há uma grande distância entre a expectativa e realidade. Apesar de 78% dos profissionais concordarem que o acompanhamento contribui para o desempenho no trabalho, 29% afirma que os gestores diretos não atuam desta forma nunca e outros 20% recebem apenas uma vez por ano conselhos e orientações sobre carreira por parte do chefe.

Apesar de ser um tema global, as atitudes diferem em cada país. Singapura é o país onde os profissionais (95%) sãos os mais dependentes dos coaches de carreira para o bom desempenho no trabalho, seguido por Brasil (94%) e Hong Kong (88%).

A questão cultural é preponderante para entender esta diversidade. O brasileiro de uma maneira geral é mais emocional na forma de encarar as relações de trabalho. Nos Estados Unidos e países europeus, o profissional é mais orientado em cumprir e executar apenas as tarefas pelas quais ele é designado, enquanto os profissionais brasileiros interagem mais, criam maior proximidade com gestores diretos e também de outras áreas. Os brasileiros têm o hábito de saber via gestor direto quais os passos para atingir o próximo estágio na carreira, o nível de produtividade e as expectativas, o que é rico e importante para a evolução profissional.

Os países também têm diferentes pontos de vista com relação à importância do coaching dos gestores para a motivação. No Brasil, 88% dos profissionais acreditam nesta relação e em Singapura, 84% dos entrevistados. O impacto desta interação é menor na Holanda (47%) e França (52%).

Pelo lado positivo, mais da metade dos profissionais (56%) entrevistados consideram que os gestores diretos são coaches efetivos de carreira. As principais características de gestor com habilidade de coach são o conhecimento e experiência em primeiro lugar seguido por confiança mútua e respeito.

Neste contexto é cada vez mais valioso que os gestores identifiquem o seu próprio estilo de coach – colaborativo, inspirador, analítico ou clássico - e como os profissionais reagem a este perfil. É o primeiro passo para a evolução do relacionamento e a efetividade da gestão com a equipe liderada, que poderá entender a sua forma de trabalho e adequar o comportamento à sua maneira.

Após a definição do seu estilo de coach, outros passos podem colaborar para que você aprimore sua relação com os profissionais de seu time. Algumas dicas são: entender que o coaching é parte de sua responsabilidade como um executivo sênior e é necessário abrir um espaço dentro da agenda ocupada para se comunicar com a equipe; mapear os atributos e personalidades de seu time para entender quem responderá melhor para cada uma de suas qualidades; aceitar que será importante ajustar algumas atitudes para atender necessidades individuais; compreender que o coach é o modelo para os integrantes da equipe, portanto é preciso mostrar como se faz e não apenas dizer como; busque inspiração nos recursos disponíveis dentro da própria empresa, como seu chefe e as informações e pesquisas das áreas de recursos humanos.



*Fernando Mantovani é o responsável pela operação da Robert Half no Brasil.