Ref. NE-01962
A notícia de que fomos eleitos o país-sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 deu o sinal de alerta para o setor de construção civil. E, como se a infraestrutura necessária para a realização destes eventos não fosse um desafio grande o bastante, temos um arrojado Programa de Aceleração do Crescimento, que contempla obras de grande porte e que impõe um novo desafio para o mercado de trabalho em construção civil.
Empresas do setor são unânimes ao apontar a preocupação com a capacidade de seus negócios, principalmente em relação à mão-de-obra. O desafio é encontrar profissionais que coordenem e conduzam suas obras, que quase sempre têm um orçamento apertado a ser seguido, assim como multas contratuais no caso de atraso na entrega. Esta tarefa não é simples - dados do Sistema Nacional de Emprego (SINE), do Ministério do Trabalho, revelam que o profissional de Engenharia Civil é o que mais está em falta no país. Isso porque a área passou por um período de crise nas décadas de 80 e 90, e quem se formou nessa época se deparou com um mercado de trabalho completamente adverso. Muitos dos engenheiros acabaram se dirigindo para outras áreas, como o mercado financeiro, por exemplo.
Os poucos profissionais que têm a experiência necessária estão sendo disputados por diversas construtoras no país, inflacionando o salário para esta faixa de atuação. Na prática, as empresas acabam contratando um profissional com a intenção de otimizar o andamento da obra, visando prazo e custo, mas paga tão caro por ele que pode comprometer esses mesmos custos e prazos. Para se ter uma ideia dessa disparidade financeira, há casos extremos de engenheiros querendo um aumento salarial de 50% quando recebem uma proposta de emprego. Ou de profissionais com dois anos de experiência com salários entre R$ 8 mil e R$ 9 mil.
Na visão das empresas, não é problema pagar um alto salário se o profissional justifica os custos e consegue executar uma obra de maneira correta. O problema é que muitos profissionais não possuem bagagem suficiente para gerar esse resultado. Logo, se os engenheiros com a experiência e energia necessárias para estes empreendimentos estão caros para os orçamentos das obras, quem poderá conduzir estas obras? Os engenheiros juniores que talvez não tenham como planejar e conduzir as obras e entregá-las no custo e prazos estabelecidos? Os engenheiros mais seniores que talvez não estejam dispostos a trabalhar em determinados projetos?
Uma das respostas é o treinamento interno, que é apenas uma solução paliativa. Grandes empresas de construção possuem bons programas de trainee, que qualificam dezenas de profissionais por ano, mas que ainda assim não são suficientes para suprir a demanda.
O cenário de desenvolvimento para o país é muito otimista. A carência no mercado de trabalho, porém, deixa em dúvida o sucesso dessa grande empreitada que será a infraestrutura para todo esse crescimento. O desafio agora é buscar respostas para os problemas que estamos enfrentando em relação à mão-de-obra qualificada.
Caio Arnaes é especialista em recrutamento para engenharia na Robert Half.