Imprimir esta página Enviar para um amigo Página anterior

Ser generalista é especialidade

Ref. NE-02523



A reta final de 2010 não deixa nenhuma dúvida de que o Brasil é a menina dos olhos dos investimentos internacionais. A economia fortalecida e aquecida, oportunidades relacionadas às descobertas do pré-sal e os grandes eventos esportivos no horizonte dão a confiança necessária para que empresas mirem suas expansões no País.

Desde o início de 2010, e de forma mais agressiva ao longo do ano, é possível observar o aumento no número de ‘start ups’ no Brasil. O primeiro passo é a criação de uma equipe enxuta para que a operação, de fato, possa acontecer. Para isso, é fundamental a presença de profissionais da área de finanças e contabilidade. Ou seja, pessoas capazes de cuidar da parte administrativa e financeira, além de verificar questões legislativas e tributárias.

Fazer parte de um ‘star up’, principalmente no contexto econômico vivido pelo o Brasil, pode representar uma excelente oportunidade para a carreira. São empresas que pesquisaram o mercado e estão dispostas a investir nos próximos anos. Isso fatalmente permitirá aos profissionais envolvidos o desenvolvimento acelerado em conjunto com a empresa. Para os que embarcam desde o início, a possibilidade de se tornar um líder em curto prazo é ainda maior.

Há ainda benefícios como a grande visibilidade gerada pela posição privilegiada, já que os profissionais têm a responsabilidade de reportar todas as informações à matriz. A autonomia do trabalho é grande e um prato cheio para quem gosta de desafios.

Diferente do que se observou nos anos anteriores, em que a especialização em segmentos da área de contabilidade e finanças esteve valorizada, o movimento de ‘start ups’ requer, por sua vez, que os profissionais sejam generalistas. Ou seja, como as empresas estão em início de operação, as equipes são reduzidas e é preciso que o profissional de finanças tenha conhecimentos e experiência em áreas de contabilidade e vice-versa.

A escassez de profissionais qualificados aliada às exigências generalistas dessa mão de obra tem dificultado o encontro de pessoas com as competências ideais. O profissional com inglês fluente acaba sendo absorvido pelas grandes multinacionais e por conta do porte dessas companhias se tornam especialistas. Os perfis mais generalistas, por sua vez, dificilmente possuem fluência na língua inglesa.

A saída é buscar entre os profissionais especializados àqueles que tenham acumulado na carreira experiência em outras áreas ou pessoas que não sejam especialistas, mas que tenham vivenciado experiências nas duas áreas. Freqüentemente, a alternativa, para não dizer a única opção, tem sido a flexibilização na contratação. Abre-se mão do perfil ideal escolhendo profissionais com potencial de desenvolvimento.

Paradoxal, ou não, pela dificuldade em se encontrar tal perfil profissional no mercado brasileiro, ser generalista é uma especialidade.


Marcela Esteves e Marta Chiavegatti são especialistas em recrutamento da divisão de Finanças e Contabilidade da Robert Half.