Ref. NE-01918

Profissionais mais preocupados, empresas mais cautelosas, exigências maiores de ambos os lados. O saldo da crise trouxe decisões de contratação mais pensadas e necessidade de profissionais mais realizadores dentro das empresas. Contratou-se muito nos anos anteriores à crise, como resultado de um forte aquecimento do mercado somado a falta de profissionais qualificados no país. No ano de 2009, porém, quem não mostrou ser essencial dentro das companhias ou não atendeu às necessidades dos empregadores ficou fora do mercado.
A lição aprendida pelas empresas: dar maior importância ao processo de recrutamento. Contratar um profissional, antes uma operação que precisava ser rápida, passou a ser um processo mais robusto e exigente - as empresas querem ter a certeza de que estão fazendo as melhores escolhas. As etapas do processo de recrutamento estão mais longas. É preciso entrevistar mais candidatos, em mais etapas, incluindo mais pessoas participando do processo de decisão.
A visão de custos também mudou - antes de optar por um investimento, como uma terceirização de serviços, por exemplo, as empresas avaliam se é possível realizar o trabalho dentro da empresa, evitando gastos e aumentando a responsabilidade dos profissionais. Por este motivo, as empresas esperam que a equipe contribua para gerar resultados, demonstrando pró-atividade, energia e realização. O novo ambiente gerado após a crise tornou o mercado mais competitivo, com maior exigência por resultados rápidos e efetivos por parte das empresas.
Do ponto de vista dos candidatos, a cautela também foi a lição aprendida com a crise. Ao contrário do que acontecia há um ano, quando muitos profissionais mudavam de emprego motivados pelos salários inflacionados, hoje eles avaliam a saúde financeira da empresa, o mercado onde ela atua, o que aconteceu com a empresa durante a crise e o que está acontecendo. Com um crivo mais apurado, os candidatos estão mais conservadores e receosos.
Como aprendizado, percebemos que a crise acelerou o amadurecimento do mercado brasileiro - empresas mais preparadas sobreviveram, o que causou uma concentração em alguns segmentos. No setor de recrutamento, o modelo de negócios de sucesso, em que a consultoria só é remunerada se o candidato for contratado, ganhou força no Brasil, já que as empresas valorizam resultados como nunca. Os profissionais brasileiros também saíram ganhando - um executivo que já passou por crises pode ser mais valorizado no futuro, pela experiência adquirida nesse período.
Fernando Mantovani é Branch Manager da Robert Half em São Paulo