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Resseguros: oportunidades à vista

Ref. NE-01983


Alexandre Attauah é consultor de recrutamento da Robert Half em São PauloO ano passado começou com uma grande expectativa de contratações na área de resseguros. O mercado, que até 2008 era monopolizado pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), foi aberto a empresas privadas e fez com que profissionais de diversos setores voltassem seus olhos a essa nova oportunidade de carreira que surgia. Em 2010, o cenário previsto não se confirmou – ainda há expectativa de grande demanda por profissionais e as companhias de resseguro que atuam no país investiram pouco em contratações e ainda possuem equipes reduzidas.

A cautela do mercado, porém, deve ser graças à experiência da década passada, quando houve um primeiro movimento de abertura desse mercado para empresas privadas, o que acabou não acontecendo. Nesta época, empresas estrangeiras de resseguros montaram subsidiárias no Brasil com a expectativa de poder explorar este mercado, mas acabaram tendo seus planos frustrados. Algumas mantiveram seus escritórios no país e outras retornaram para suas matrizes. A crise mundial de 2008 também foi um dos motivos para que as resseguradoras tivessem cautela para investir novamente no Brasil.

Mesmo com este movimento tímido, nos últimos dois anos algumas resseguradoras abriram representações no país, mas fizeram poucas contratações e trouxeram suas próprias equipes para implantar o negócio no Brasil. Por outro lado, enxergando oportunidades futuras, seguradoras começaram a investir no negócio de resseguros, utilizando sua estrutura atual de profissionais.

As perspectivas são positivas. Mesmo com a carência de mão-de-obra no setor de resseguros, que sofre com a falta de profissionais qualificados, muitos executivos e profissionais de mercado estão interessados em fazer uma transição de carreira para esse nicho distinto. Um dos desafios é justamente o treinamento – as próprias empresas teriam que formar grande parte de seus colaboradores. Muitos profissionais já estão se adiantando e buscando formação específica nessa área, alguns deles fora do país. Vencido este desafio, a tendência é de que esse mercado se desenvolva cada vez mais, já que a capacidade de crescimento do negócio é enorme.

O profissional de resseguros precisará conhecer este nicho, o de “seguro do seguro”. Grandes projetos com riscos elevados podem ser clientes-alvo de resseguradoras e o Brasil é um dos países com um imenso mercado para este tipo de empresa. Obras de infra-estrutura, por exemplo, em muitos casos não poderiam ser seguradas apenas por uma empresa, o que faz com que seja necessário o resseguro, ou a distribuição desse risco no mercado internacional. O perfil desse profissional também é diferenciado: espírito empreendedor, que gosta de lidar com riscos, domínio do inglês e preferencialmente de outro idioma são características ideais para o mercado de resseguros, que tem um perfil mais arrojado que o de muitas seguradoras. Conhecimento técnico do assunto é cada vez mais um diferencial desejado pelas empresas.

A remuneração de uma resseguradora é superior à do mercado de seguros e as oportunidades tendem a surgir cada vez mais por conta de projetos como Copa do Mundo e Olimpíadas. As áreas técnicas estarão em alta: profissionais de ciências atuariais, subscrição e produtos serão algumas das mais aquecidas. A demanda por resseguros, apesar de estar evoluindo cautelosamente, será uma realidade nos próximos anos. O destaque será dos profissionais mais preparados e que estiverem atentos aos movimentos de um mercado tão aguardado e que possui muitas possibilidades de evolução.

Alexandre Attauah é especialista em recrutamento no mercado de seguros e bancos na Robert Half